Por volta de 6h30 da manhã o sol explodiu na minha janela. Não era só um raio. Era a luz intensa entrando no meu quarto sem qualquer cerimônia. Minha luz interna estava apagada. Foi prontamente obrigada - e contrariada - a se acender. O tempo e eu não estávamos na mesma frequência. Sabe aquela equação? Dia lindo + pessoa indisposta = sair da cama de qualquer jeito e com cara amarrada.
Essa falta de sintonia com o tempo me deixou encasquetada somada ao tanto de coisas que anda passando pela minha cabeça. Como pode uma pessoa acordar triste num dia tão irradiante? Se pelo menos eu pudesse absorver as energias do sol e me nutrir de luz... Eu posso. E por que não faço? Sei lá. É coisa para pensar depois. Depois?
Ouvi outro dia que eu sempre deixo as coisas para depois. Doeu essa verdade reverberando aqui dentro. Há fatos e pensamentos que prefiro ignorar para refletir depois, evitando o sofrimento agora. E então o tempo passa e muita coisa me consome. Resultado: fico triste e frustrada comigo.
Mas tudo bem. Acontece de vez em quando. Não sempre, ainda bem. Estava lendo uma crônica da Martha Medeiros sobre o tempo e a necessidade de as pessoas comentarem sobre ele em cartas, e-mails... Tá chovendo aí? Aqui tá um calor danado. Ou: Um frio do cão!
O tempo influencia a vida das pessoas, sem dúvida. Ilumina ou deixa tudo nublado. Um dia chove, outro faz sol. É assim com a gente. Uma hora feliz, outra nem tanto.
Hoje pairou uma nuvem por aqui. Se instalou bem alta, ligeira, mas já está mudando de posição. Vai seguir outra rota dentro de alguns minutos e conduzir seus tons de cinza para outra morada. Meio dia desta sexta-feira já se foi. A outra parte começa a ganhar cores. Estou armada com pincéis.
