quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eu, espremida numa crônica

Um mês em Roraima. Sem pauta. “Vai. E volta com uma história”. Não, meu chefe não me disse isso. Quem recebeu essa ordem foi a jornalista Eliane Brum, que voltou com a senhora história para a revista Época. Nunca estive em Roraima, mas posso dizer que já conheço muito bem, pela descrição perfeita da autora. Ainda não terminei de ler "O Olho da Rua", livro dela, com uma seleção de dez grandes - e brilhantes - reportagens. Acho que estou na metade e, acredite, difícil concluir a leitura sem se emocionar ou vibrar com cada palavra em seu devido e surpreendente lugar. Eu diria que é uma das poucas pessoas no mundo que sabe utilizar bem cada verbo, adjetivo e substantivo. Merece cada prêmio que já ganhou.
Lendo uma das suas preciosas páginas, ela diz que o leitor chega ao fim da história, mas muitas vezes nunca chegará à continuação de uma reportagem, na vida real. É verdade. Várias vezes a gente escreve, toca alguém, e a trama se desenrola fora do jornalismo.
Lembrei de uma vez em que publiquei uma crônica no jornal, sobre a vida das pessoas solteiras, em especial a minha. Falava da pressão que os familiares exercem sobre a gente pra arrumar um namorado e coisa e tal. Eram fatos do cotidiano, mas que me deixavam pê da vida. Afinal, ninguém solteiro pode ser feliz? Bom, após a publicação, recebi vários e-mails de leitores que gostaram e, claro, eram solteiros. Achei engraçado porque eles relatavam exatamente as mesmas situações e episódios pelos quais eu passava. Um rapaz me convidou logo de cara pra sair. Descartei. Achei ousado demais, pois a intenção da crônica não era receber convites por e-mail. Outro, romântico, começou a se corresponder comigo por um longo tempo. Até que eu, doidinha, aceitei um convite para uma pizza. Quem diria que uma crônica poderia render um encontro! Não me identifiquei com o rapaz - embora fosse romântico, gentil e tenha me dado até um buquê de rosas vermelhas. Era realmente uma peça rara.
Então ele tentou me conquistar de outra forma. O pai dele mandava cartinhas para o jornal elogiando reportagens minhas e os editores publicavam no "Espaço do Cidadão". Era cômico, pois só eu sabia que ali havia outras intenções (talvez um sogro querendo derreter o coração da nora). Não surtiu efeito. Mas agradeci os elogios. Vez ou outra a gente se encontra por aí e o rapaz que escrevia belos e-mails faz de conta que não me conhece.
Também fiz muitas amizades após algumas reportagens. Tenho orgulho e contentamento de ter amigas escritoras, senhoras que já passaram dos 60, 70 e 80... A dona Aparecida Mariano de Barros é uma delas. Me envia todos os lançamentos de seus livros, com dedicatória, e ainda faz uma poesia ou um haicai para mim. Estou devendo uma visita a esta acadêmica, ou como ela diz, um chá da tarde. Também tenho um carinho especial por um escritor e apresentador, o Odair Cantamessa, que selecionou várias de minhas reportagens e me surpreendeu com um programa de rádio, com meus versos entrecortados por músicas. Como agradecer a um presente destes?
Ah, chega de falar de mim. Já estou inflando feito um peru... rs
A única intenção deste post é indicar a vocês a mais bela reportagem que já li sobre um asilo. O título é "A Casa de Velhos" e a autora, Eliane Brum, claro. A matéria rendeu 24 páginas no livro, além de fotos dos personagens. A idéia resumida da autora é "a vida inteira espremida numa malinha de mão". Diz tudo.
Uma das coisas mais interessantes do terceiro livro da jornalista é que após a íntegra das reportagens, ela conta o making of da história, seus erros e acertos. Achei aqui, on-line, a Casa de Velhos, caso alguém tenha vontade de ler.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Palavras ao Vento News

Você sabia? Numa cantina italiana nordestina quatro meninas (duas cariocas e duas jundiaienses) jantaram com os pés para o alto, sobre as cadeiras. Foi a alternativa que elas encontraram para que as pererecas passassem livremente sob a mesa, enquanto elas saboreavam as massas, um pouco enojadas. E, algumas vezes, apavoradas. Uma jundiaiense chamada Paula Mestrinel não aprecia petiscos do mar. Nadinha de nada. Portanto, pense duas vezes antes de viajar com ela para o litoral, pois as refeições são sempre meio complicadas. Quando se está numa cidade longe de casa, sem dinheiro sobrando, uma das opções é desbravar outros mares fazendo passeios de ônibus. A passagem em Fortaleza – a quinta maior cidade do Brasil – custa apenas R$ 1,60. Lá ninguém fica ‘aperreado’ de fome. O cobrador pára em casa no horário do jantar, faz uma quentinha para ele e o motorista, e volta ao ônibus para levar os passageiros aos seus destinos. E também consegue cobrar a passagem e comer ao mesmo tempo. Ainda falando em ônibus... Existe um microônibus em Fortaleza, tão micro, que não cabem pessoas com 1,70m em pé. E depois dizem que cearense tem mania de grandeza. Nunca, em hipótese alguma, confira a previsão do tempo antes de viajar. Pode ser que os especialistas em clima acertem. E lá vem chuva! O que se observa com muita freqüência no Ceará, quando jorra água do céu, é que as pessoas usam redes para dormir e, assim, não molham os pés. Alguém em outra região do Brasil teria pensado nisso? Ah, essa é boa para as mulheres. Se estiver dirigindo seu veículo e encontrar uma inundação numa avenida ou um braço de mar nas dunas, vá de ré! Dessa forma não entra água no motor e o escapamento dá conta da água, expelindo tudinho. Quase sempre dá certo! Outras vezes perde-se o carro... É claro que quando se está fora de casa alguém vai te ligar, em casa mesmo. Principalmente quando você deseja um serviço como o Speedy e só pode tê-lo quando eles entram em contato, e não o contrário entende? Eu não. O filme “Eu te amo, cara”, em cartaz no cinema, tem um péssimo título, mas um enredo não tão péssimo assim. Conta a história de um rapaz que fica noivo e não tem um amigo sequer para ser seu padrinho. Então, começa uma caçada engraçadíssima para conquistar um colega que se possa chamar de ‘amigo de verdade’. Basicamente, fala sobre a importância das amizades e o que elas podem nos proporcionar.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Curtas

Durante os poucos segundos em que o sol apareceu, briga de peixeiras, foices e cotovelos...
E uma cabeça ainda saiu na frente!
"Ando devagar porque já tive pressa / e levo esse sorriso / porque já chorei demais / Hoje me sinto mais forte / mais feliz quem sabe / só levo a certeza de que muito pouco sei / Eu nada sei" (Trecho de Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira)

Após o longa-metragem sobre Jericoacoara no post anterior (acho que ninguém em sã consciência teve coragem de ler até o fim), vamos aos curtas nordestinos e jundiaienses. A semana está ainda começando. Com férias, tudo é melhor. Há tempo para várias coisas chatas: bancos, manicure, televisão... E várias coisas legais: leitura, livros, caminhadas, passeios, dança, pai, mãe e irmã. Prometi que falaria sobre a Pedra Furada, em Jericoacoara, e aqui vai, sem delongas: para chegar lá, numa praia um pouco distante da cidade, é preciso de uma hora de caminhada (devagar). O caminho é composto por morro, pedras, areia, gramado, bois, vacas, cavalos e jumentos. Vez ou outra, porcos do mato também. A ida não é tão cansativa, mas a volta é de matar. Aconselho para pessoas da flor da idade e não da melhor idade. Produzir a clássica foto do sol se pondo no meio da pedra é uma luta de armas entre as pessoas. Cada qual com sua máquina, em busca do melhor ângulo. Só tem um porém: se tiver a sorte do sol aparecer, claro. Enquanto estive na pedra, não havia sol. Mas ele surgiu durante um ou dois minutos e deitou no mar. Foi tempo suficiente para as pessoas se atracarem e disputarem a melhor imagem. A minha não foi das melhores (longe disso!). Mas valeu a aventura. O local é mágico. No fim de semana estive em Itu, num passeio turístico com a Sabrina, alemã que está hospedada na casa da minha irmã até junho. Também fomos à Fazenda do Chocolate, onde há guloseimas irresistíveis. Caracas, como ela está falando bem português! Só confunde algumas palavras parecidas como 'galinha' e 'gatinha'. Aliás, vamos ao Rio no feriado de 1º de maio com outras amigas e ela disse que só vão as 'galinhas'. Êpa, pronúncia bem equivocada, hein! Mesmo porque vai um alemão com a gente também... Diferente dela, o rapaz não fala uma palavra em português. Acho que o feriado prolongado promete diversão. Queria ver a Sabrina falando Jijoca de Jericoacoara... Mas ela nem se atreveu! Hoje é terça-feira. Não tenho NADA pra fazer, a não ser as unhas. Como isso é bom!!! Não estou fazendo inveja, gente. Mas é que há muito tempo eu não tinha tempo pra mim. Se estiverem precisando de alguma coisa, contem comigo! Mas desde que seja um passeio bacana, um cinema ou qualquer outra coisa que me tire do ócio.

domingo, 26 de abril de 2009

Ji + Joca + Jericoacoara

Redes ao mar, pescadoras de sonhos! Eu, Lu, Lorene e Dani (sereias encrencadas).
Vidinha mais ou menos, né?
Paisagem alinhada com a caipiroska. Foi sem querer! Era uma vez um índio chamado Ji e uma índia chamada Joca. Eram primos, se apaixonaram, mas não podiam se casar porque a família não permitia. Resolveram, então, fugir para outro povoado e serem felizes para "sempre" - essa palavra não deveria existir. Nada dura pra sempre. Enfim, eles tiveram filhos e assim foi se criando Jijoca de Jericoacoara. Esta é a verdadeira identidade da deslumbrante Jericoacoara. Imaginem um lugar longe. Agora vislumbrem um local dez vezes mais distante. E, desta vez, um pouquinho pra lá do fim do mundo: bem-vindo a Jijoca de Jericoacoara. De Fortaleza a Jeri foram sete horas a bordo de uma apertada Van, com doze pessoas - lotação máxima. Descemos no povoado de Jijoca - embora se chame Jijoca de Jericoacoara, eles separam as civilizações de Jijoca e Jeri -, embarcamos no pau-de-arara com umas 15 pessoas e partimos para a pousada. Entre pulos, saltos, balança pra cá e pra lá, areia, chuva, mar, mangue e vegetação, foram pouco mais de uma hora para chegar a Jericoacoara. [Jeri = jacaré e Coacoara = coarando ao sol. Idéia resumida: Jacaré ao sol] São apenas cinco ruas, sem pavimentação, sem iluminação pública e muito menos saneamento básico. Não há hospital, mas sim um posto de saúde onde o médico atende uma ou duas vezes por semana. Neguinho, motorista de bug, 43 anos, conta que só foi ao médico uma vez na vida e nunca visitou o dentista. Todos os dentes ainda estão lá, firmes e fortes. Caixa eletrônico? Banco? Imagine! Não há muita coisa em Jeri. Porém, tudo o que há, basta. Fiquei instalada na rua do Forró. As outras vias são as da Igreja, da Padaria e esqueci o nome das outras duas. A padaria abre às 2h da manhã e fecha às 5h30, oferecendo guloseimas que ficaram só na imaginação, pois não tive coragem de levantar às 2h para ir lá. As 'baladas' também começam às 2h da matina, mas quase não havia turistas em Jeri devido à baixa temporada, então pouca coisa funcionou. Quando fomos ao forró, havia ensaio local de quadrilha. Bem diferente daqui! Há competições de quadrilhas por lá - tradição no vilarejo. Bem, tudo o que restou foram as belezas naturais. Após andar as cinco ruas, você avista a uns cem metros a duna do pôr-do-sol. Existe um ritual na cidade em que as pessoas sobem a duna todos os dias, às 17h30, para ver o sol se pôr no mar. Um espetáculo, eu diria. Todos sentam no alto da duna e aguardam as cortinas solares se fecharem. O som do mar invade a arena e as pessoas permanecem em silêncio, imóveis, para observar o crepúsculo. A minha foto preferida (no post anterior) foi feita no caminho para esta duna. Os demais passeios são feitos apenas de bug, exceto o da Pedra Furada, aquele cartão-postal de Jeri que todos devem conhecer. Tatajuba é um outro povoado perto de Jeri - quer dizer, a mais de uma hora de bug - e é composta por dunas gigantes, lagoas de água doce, muita vegetação também. Então o bug pára e as lagoas convidam a um mergulho. Ora você atravessa de balsa para chegar a outras dunas ora passa com o bug dentro de um braço de mar. É uma aventura e muitas vezes pode acabar atolado o seu transporte! A beleza é indescritível. Difícil elencar as paisagens mais belas - tanto que produzi 300 imagens em pouquíssimos dias. Ah, ali em Jeri há apenas mil habitantes e outros mil invasores (guias locais, comerciantes, sapos, pererecas, entre outros). À noite, apenas as luzes das casas iluminam as ruas. Foi lá que eu e minha parceira de viagem (a Luciana) conhecemos Lorene e Danielle, as meninas do Rio de Janeiro que viajavam a trabalho. Êta trabalho chato! O passeio se tornou mais legal a partir de então, porque só tínhamos encontrado casais em viagem de lua-de-mel. Ninguém merece, né? Ficar observando a felicidade e o romantismo alheios, quando se está solteira, e num paraíso, é muuuuito e eternamente chato. Uma das atrações em Tatajuba é a duna encantada. Dizem, por lá, que há um barco enterrado na duna e que, à noite, alguns o vêem iluminado. Nativos como dona Elmira - uma senhora de 70 anos, dona de uma barraca de coco no caminho para este passeio, conta a história da duna sem ser interrompida. Fala sem respirar, palavra atrás de palavra - e muitas delas a gente não encontra no dicionário. Mas, enfim, ela relatou histórias de assombrações na duna. Fomos até lá, mas ninguém viu vulto algum. Apenas cenários de tirar o fôlego. Fiquem com algumas imagens. Tem mais aqui também. Volto pra contar sobre a Pedra Furada, sobre a segunda impressão de Fortaleza, sobre as coisas que aprendi e desaprendi. Bom domingo!
Lagoa do Paraíso, em Jeri. O nome já diz tudo

Na balsa, percorrendo o trajeto até a Duna Encantada

Caminho surreal para Tatajuba

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Off Road

Pôr-do-sol em Jericoacoara - minha foto preferida dentre 300 imagens que trouxe na bagagem.
(Dica: clique na foto para vê-la em alta resolução)

De volta à vidinha normal, mas ainda de férias! Uma semana no Ceará foi tão pouco para apreciar tantas belezas naturais... Ando lesada ainda com a rotina pacata de lá, com o visual deslumbrante, com a vida sem relógios, sem hora pra qualquer coisa. Portanto, voltarei uma outra hora pra contar as novidades e trazer mais imagens. Aguardem cenas de vários capítulos.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Enfim, elas chegaram!

"Ando tão à flor da pele / Que qualquer beijo de novela me faz chorar / Ando tão à flor da pele / Que teu olhar flor na janela me faz morrer / Ando tão à flor da pele / Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser (baby) /Ando tão à flor da pele / Que a minha pele tem o fogo do juízo final (honey baby) / Um barco sem porto sem rumo sem vela cavalo sem sela / Um bicho solto um cão sem dono um menino um bandido / Às vezes me preservo noutras suicido"
(trecho de Vapor Barato / Flor da Pele, de Zeca Balero)
Sim, elas chegaram!!! Um dia depois, mas finalmente me trouxeram à vida fora do jornalismo. Há vida fora da redação. Há paz nessa vida. Já consigo respirar melhor e é disso que preciso no momento. Andar de trem hoje, até São Paulo, foi uma aventura. Cansativa, claro. Mas é sempre válido fazer coisas diferentes. Me tornei uma das enlatadas no vagão das 17h. Que aperto! E também nem precisei fazer minha caminhada matinal nesta terça. Acho que andei o equivalente a uma semana... Queria trazer a este espaço um personagem do vagão, lotado. Era um senhor de uns 70 anos, emaranhado de rugas no rosto, terno e gravata, calça que não fazia par com o paletó (mas só para quem reparasse muito, como eu o fiz), sapatos velhos, bem gastos, e uma corrente que descia da cintura até pouco abaixo do paletó - provavelmente seriam aqueles relógios de bolso, antiquíssimos. Um dos três botões da manga do paletó estava quebrado na metade. Brotou um sorriso tímido no meu rosto quando reparei neste detalhe. Teria alguém para substituir aquele botão? E os sapatos? Ele teria outros? Bom, eu estava em pé, e meu rosto estampava o cansaço. Reparei nele para não dormir. Seus óculos com lentes grossas não pareciam me enxergar. Continuei a observá-lo porque não havia muitas opções para virar para outro lado. Quando meu olhar encontrou o dele fui surpreendida no flagra: "Quer sentar aqui?", disse ele, gentilmente. Agradeci e o deixei ajeitado confortavelmente no banco. Afinal, ele deve estar na casa dos 70. Eu? Bem, ainda estou na minha terceira década de vida. Mas o cansaço que senti hoje, após aguardar tanto essas férias, deve ter expressado uma vida inteira! Vou ficar ausente nos próximos dias, caros leitores. Tô indo pro Nordeste (não de trem!), mas volto pra contar as novidades e trazer algumas imagens. Sentirei saudades... Beijos.

domingo, 12 de abril de 2009

Apenas sinta

"Sinta a chuva na sua pele / Ninguém mais pode sentir isso por você / Só você pode deixar isso acontecer / Ninguém mais, ninguém mais / Pode dizer as palavras por você / Se banhe nas palavras não ditas / Viva sua vida com os braços abertos / É hoje que seu livro começa / O resto continua por ser escrito" (refrão de Unwritten, de Natasha Bendingfield)
Muita gente compara a vida com um livro. Até eu. Por que não? Meu 'book', por exemplo, não está em branco. Há dezenas e dezenas de capítulos inacabados. A história, tomara Deus, ainda vai longe. Já virei páginas bem legais, poucas desagradáveis e outras cheias de fotos, gravadas na mente. As palavras podem ser esquecidas, apagadas... Mas as imagens dificilmente serão diluídas do nosso cérebro. Um sorriso, uma expressão, uma careta, um olhar, um beijo lançado ao ar, um aceno. É assim que desejo que seja a sua Páscoa, cheia de boas imagens. E que elas se renovem com o tempo, tornando melhores nossas páginas. "É hoje que seu livro começa. O resto continua por ser escrito". Boa Páscoa!!! Sem excessos no chocolate. A essência é outra. P.S.: O sol acordou às 9h41 hoje. Fez muita falta às 6h da manhã, mas nem por isso deixou de trazer luz ao dia. Ele sempre está lá, atrás das espessas camadas cinzas de nuvens, e a gente nunca se lembra disso. Muitas vezes a escuridão tende a ficar nos assombrando...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Só por hoje

Acordei 4h50 hoje e saí de casa com os primeiros raios de sol, antes que todas as pessoas recebessem o jornal em suas casas. Eu, que normalmente levo as notícias até os leitores, saí antes delas, querendo, na verdade, fugir de qualquer coisa que me lembre o jornalismo. Domingo de Páscoa será outro dia a madrugar, já que fui escalada (e contemplada com esse azar) para entrar às 5h30 no trabalho. Não vou tecer comentários sobre isso. Ando irritadíssima nos últimos dias e ainda "roubaram" um dia das minhas férias, que seria a partir de segunda-feira. Bom, de novo, ficarei calma... Parafraseando a primeira lição de uma entidade, 'só por hoje, não vou me aborrecer'. Queria mesmo escrever sobre acordar cedo e ver as primeiras cores do dia, as pessoas bocejando pelas ruas e os (poucos) carros parados nos semáforos nessas horas. Um bom dia pra você, pra todos nós!

domingo, 5 de abril de 2009

Rápidas e quase sempre curtas

Sabe aquele dia em que você sai de casa correndo, mas não está satisfeita com a roupa ou o sapato? Vez ou outra acontece... Saí atrasada, no sábado de manhã, para ir ao trabalho. Não fiquei contente com as sandálias, mas, no meu caso, não havia outras com salto baixo para a ocasião. Na verdade, queria um sapato fechado, que não mostrasse minhas unhas sem esmalte e, pra meu azar, encravadas. [Confesso, estou com duas delas encravadas]. Enfim, como estava um baita calor e iria a um evento político, pensei: 'ninguém vai reparar em mim'. Por que existe a Lei de Murph!? Enquanto eu entrevistava um dos políticos, o outro, um vereador de São Paulo que não vou citar o nome, mas apresentava o quadro "Um dia de princesa" na tevê (e ainda cantava "Tô chegando na Cohab, pra curtir minha galera...", lembram disso?). Bom, ele olhou para baixo e mirou meus pés. Eu queria morrer!!! Por que não calcei sapatos fechados? Por um bom tempo ele ficou olhando e nem quero pensar o que ele imaginou, mas talvez estivesse pensando na resposta à minha questão, ou só observando mesmo o meu desleixo. Hoje, domingão, juro que vou dar um trato nos meus pés - por incrível que pareça, uma das partes do meu corpo que mais gosto. Essa mania de deixar pra depois, pra amanhã... Um dia somos flagrados!
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Gente, a rainha Elizabeth 2ª não pode ser tocada. Eu não sabia disso. Caracas, será que ela é de vidro? O presidente Lula sentou-se ao lado dela na foto posada da reunião do G20, em Londres, e quase encostou os joelhos na mulher intocável. O que teria acontecido? Morreria fuzilado? Já a senhora Obama quebrou o protocolo (não sei se ela é ignorante igual a mim e não sabia da regra) e deu um abraço na rainha, aparentemente constrangida com o gesto - tão comum entre nós, meros e pobres mortais.
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A coluna do José Simão deste domingo, na Folha de São Paulo, está impagável! Galvão Bueno dizendo “Tô preocupado com o Peru”. E Simão retrucando "Todo homem casado com mulher nova fica preocupado com o Peru!" Já Luis Fernando Veríssimo, com seu artigo no jornal Bom Dia, também mandou bem - ele abordou esses não-me-toques da rainha do Reino Unido e os pensamentos de Lula. Ficou ótimo!
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Estamos quase em 2010, tecnologia em alta, modernidade exalando nos quatro cantos do mundo. Alguém, em sã consciência, ainda tem internet discada? Acredito que só eu mesma. Mas esses dias de martírio estão chegando ao fim. O blog vai ficar até mais movimentado em breve.
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E falando na tal modernidade, muita gente ainda se depara com as coisas tradicionais, mas que funcionam (quase sempre) bem. Jornal impresso é um exemplo. Paguei R$ 4 pela Folha de São Paulo hoje, na banca. Podia ter visto na internet, de graça? Sim, poderia, mas não 'funciona' tão bem quanto 'ver com as mãos'. A notícia é mais palpável... Também poderia ter comprado pela internet o livro "O Olho da Rua - Uma repórter em busca da literatura da vida real", da premiada jornalista Eliane Brum. Sim, isso eu bem que poderia, pois demorou 40 dias para chegar, após a encomenda, na livraria Siciliano. Onde anda a rapidez dos dias modernos? Eu gosto de frequentar livrarias e não vou abrir mão delas, embora aqui fique uma crítica em relação à demora das encomendas.
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Outra coisa de maluco é querer comprar um serviço e não ter exclusivamente para mim. O Speedy, da Telefônica, não está 'disponível na minha área'. Foi o que me disse a moça que fornece informações sobre o serviço. A área onde moro já estaria preenchida pelo serviço. Juro que nunca ouvi isso. Então, nesse caso, basta procurar outras opções que não sejam da Telefônica. Farei isso, oras.
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Bye, bye. Tô indo dar um trato naqueles que me levam a todos os lugares...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tem dias que a noite é f...

7h30 da manhã. 2 de abril. De minha mãe para meu pai: "Não pegue água da torneira para beber. Jogue fora e pegue do filtro". Do meu pai para minha mãe: Nenhuma palavra. O entendimento: jogar o copo fora. Então lá vai o copo voando pela cozinha até atingir a parede. O episódio termina em estilhaços de vidro e uma mãe calada, muito irritada. Não sei como ela conseguiu se segurar!

Pulo da cama. 7h30 da manhã. Se não houvesse o Alzheimer em casa dava pra soltar um palavrão, mas há. E não há o que fazer. Engulo as palavras, como minha mãe, apenas varro a indignação.

Do meu pai para mim: "Vai trabalhar?" De mim para ele: "Sim". 10h30. Estou na cadeira do dentista e reparo num armário de aço igualzinho ao que há em casa. Foi feito pelo meu pai, quando ele ainda mantinha uma fábrica no quintal. Possivelmente o dentista comprou dele aquela peça, perfeita. Tem dedo do meu pai ali, tenho certeza. Das 11h30 às 19h. Trabalho. Cansaço... Férias à vista... Quanto mais elas se aproximam, mais clamo por elas. 19h30. Uma lâmpada pra trocar na garagem. Meu pai tem dificuldade. Não consegue mais, embora tente uma, duas, três, sete, nove, dez vezes. A filha troca. Das 20h às 21h30. Deixo todo o estresse e a tristeza na aula de dança, perco calorias, dou risada, esqueço de tudo. Quase tudo. Bom saber que não estou sozinha! Jana, Vic e Gu, adorei os recadinhos do último post. Estranhezas como o Alzheimer... Será que algum dia alguém vai compreender essa doença e achar solução?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Estranhezas...

Às vezes tudo parece muito, muito estranho. Desde a visão até o entendimento, transitando pelas pessoas, comportamento, música e vida.
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Alguém sobrevive a um parto complicado. A criança nasce com 6 meses, ganha o nome de Estela (de estrela), fica com seqüelas da anoxia cerebral (falta de oxigênio no cérebro) e então passa a vegetar até completar dois anos. Ontem, na festa de aniversário, a criança ligada aos aparelhos estava alheia ao mundo, enquanto mãe, enfermeiros e médicos comiam bolo e salgadinho para comemorar a vida. Que vida?
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Experimentos. Herbert Vianna já não é mais o mesmo. Fez dueto com a cantora Joelma, da banda Calypso (vi uma reportagem, acreditem), enquanto a dupla Chitãozinho e Xororó uniu-se ao grupo Fresno. Estilos e vozes discrepantes, que não tive e não faço questão de ver o resultado. O bom é que a união durou apenas um dia, durante a gravação de um programa.
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O livro “Voz sem Saída”, da romancista de primeira viagem Céline Curiol, free-lancer que vive em Nova York, é... Bem estranho! Tô na metade do livro e ainda não consegui entender. Ignorância minha? Talvez seja uma obra sem saída mesmo...
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“Bom descanso”. Está martelando minha cabeça essa ordem, vinda de uma pessoa que trabalha na mesma empresa que eu, mas que nunca me cumprimentou ou olhou na minha cara. Não houve outras palavras, como ‘tchau’ ou ‘até mais’. Apenas ‘bom descanso’. Devo encarar como um ‘morra’?
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Minha mãe, aos quase 70, está gostando de Skank. Quem diria! Ela estava cozinhando quando ouviu no rádio ‘hoje acordei sem lembrar, se vivi ou se sonhei...’, início da canção "Ainda Gosto Dela", uma parceria com a Negra Lee. Pois a danadinha foi para perto do rádio só para ouvir melhor... Diz aí se não é estranho!?
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Estou a 12 dias das minhas férias, mas ando mais empolgada com as férias do ano que vem, com planos mirabolantes com uma amiga que nunca viajou comigo. Está na hora de pensar no presente, não no futuro.
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"No Line On The Horizon". Novo álbum do U2, banda irlandesa que passou cinco anos longe dos estúdios até parir este CD. Como eles conseguiram? Se a explicação não forem as turnês ou shows, difícil acreditar que um dos grupos de rock de maior sucesso nos últimos tempos tenha deixado de gravar por tanto tempo.
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Achar boas notícias para publicar no jornal é uma tarefa difícil. Aliás, bem difícil. Já ruins... A cada segundo pinta uma notícia. Não deveria ser o contrário?
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Estou começando a gostar de Pussycat Dolls. Alguém já ouviu falar? Imaginei que não. Isso é muito, muito estranho. Mas há uma música bacaninha do grupo, formado por cinco mulheres: I hate this part.