O ano, pra mim, geralmente começa depois das férias. Afinal, é o único momento de verdadeiro descanso, já que fim de ano para jornalista não significa absolutamente nada, além de trabalho. Nos 45 do segundo tempo defini a viagem, paguei e pronto. Chega de pensar. Uma coisa de cada vez. Eu sempre quis conhecer o mundo inteiro e trocentos lugares povoam minha imaginação, mas só tenho uma férias por ano, então, sossega, menina! Daqui três semanas embarcamos de novo.
Com o passar do tempo o perfil desta sagitariana foi mudando. Antes eu viajava pra alimentar a alma, pra me divertir, pra conhecer gente nova, pra voar (adoro!). Hoje, continuo viajando pra alimentar a alma, mas penso num lugar que tenha a minha cara, que seja o meu perfil: tranquilo e ao mesmo tempo aventureiro. Não faço mais viagens pra curtir praia, pra cair na gandaia à noite. Não tenho mais paciência pra isso. Agora, mais madura, e com o corpo querendo envelhecer (não deixo!!!), prefiro as aventuras de ecoturismo - o que muita gente acha coisa de índio. Vambora caminhar, corpinho!
Há 15 dias comprei uma mochila. Já estava pensando nessa viagem para o meio do mato... Primeiro penso na minha máquina fotográfica - abandonada, a coitada - e depois escolho o lugar que ela certamente vai se dar bem comigo. Nós duas temos de afinar o olhar na hora da escolha. Se ela topa, tô dentro. Ou seria o contrário? Eu topo e ela vem comigo. Bem, a ordem das coisas não altera nossa necessidade de viajar, nossa ânsia de abandonar tudo e estar entre as árvores - que mundo encantado eu vivo! Como diria uma amiga, "desce da árvore, Alice!"
Agora eu mesma me pergunto: por que, um ano depois de comprar uma boa máquina fotográfica, eu ainda não fiz um curso?! Por que?! .................................... Tempo esgotado. Sem resposta. Além de alimentar a alma, vem aí mais um desafio pela frente, trazer boas imagens, usando uma máquina bacana no sistema automático. Sem graça, mas é o que temos para este momento. Promessa para este ano: concluir um curso básico de fotografia.
Outra promessa: não deixar que os planos desmoronados me façam abandonar os sonhos. Em abril deste ano eu ia para o Canadá (como a famosa Luísa), seria um intercâmbio e estava sendo planejado com bastante antecedência. Pouca gente sabia. Faltava apenas decidir a questão de habitação e, finalmente, fechar a viagem. Quinze dias depois de ir à agência de turismo, descobri que minha mãe tinha um tumor na coluna, sem perspectiva de cura. A viagem ficou em segundo plano. A mãe, em primeiro.
A vida é assim. Uma questão de prioridades. E a gente escolhe o que é melhor pra ser feliz.
Querida [e linda] paisagem, não saia do lugar!
Daqui a pouco a gente se encontra e trago você pra casa.