quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
A pior das vilãs
Antes de colocar o pijama e repousar a cabeça no travesseiro, ela precisava arrancar algumas coisas lá do fundo. Há dias uma tristeza se infiltrara entre os pulmões, se alojando próximo ao coração. Parecia querer subir ao cérebro e habitá-lo para sempre. Faltou ar para respirar, faltou vida naqueles dias. O nó na garganta conduzia a confusão para o resto do corpo e freava a certeza. Uma certeza incerta. Uma dúvida sobre o sentido da vida. Afinal, não havia sentido algum sentir-se daquele jeito. Decidira sua viagem de férias, encontrara aquele alguém que sempre lhe causou reviravoltas no estômago. Ele até lhe propôs uma viagem-aventura de fim de semana. Mas ela queria mais que um fim de semana. Uma profunda dor invadiu-lhe o peito, trazendo um significado maior. Era hora de se afastar das coisas que lhe traziam dor. Nem precisou. Ele se afastou primeiro, já que a tristeza dela irradiava. Contagiava. Um abraço gelado selou o fim da noite, sob a chuva que deslizava pelo céu do seu pensamento. Ela sabia que aquele gesto não simbolizava mais nada, embora ele tivesse dito a palavra 'paixão'. Uma paixão que acabara de morrer, assim que ele fechara a porta do carro e, antes de se distanciar a passos vagarosos, lançou-lhe sem cerimônia a cretina palavra 'tchau'. A tristeza então se apoderou dela, com todas as suas forças. Uma lágrima correu o rosto da mulher, inundando sua face de interrogações. Queria mais uma chance de viver e encontrar a tão falada felicidade, mas não teve energia suficiente. O corpo se escondeu dentro d'alma e uma solidão imensa vestiu o que sobrou da menina, agora sem pijama, abraçada ao travesseiro molhado.
Texto desta blogueira, inspirado numa vilã chamada TPM.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
Gostei muito!!! Confesso que se a idéia era passar tristeza, a senhorita conseguiu...
Bjus
Bota tristeza nisso!!! Essa TPM foi f...
Postar um comentário