segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A menina que venceu só


Uma alma beirava o precipício. Estava prestes a se desmanchar no infinito, deixando toda a vida pra trás - uma vida que tão pouco havia vivido. A menina tinha apenas 17 anos, olhar triste, desilusões. O corpo estava mais cansado que a alma - já em estado de decomposição. Decidira há pouco que daria um fim à jornada. Era modelo, chegara ao auge da carreira aos 17 anos e estivera em todos os lugares do mundo, numa passarela que nada acrescentava a sua vida. As lentes dos fotógrafos capturaram a tristeza da menina, emolduraram seu olhar vazio e fizeram dela a modelo mais triste de toda a história. E assim ficou famosa pela sua tristeza, que envolvia a todos na plateia, diluindo entre os olhares um profundo sentimento de piedade. Vez ou outra, a menina entrava na passarela com lágrimas despejadas em seu rosto, não queria mais aquela vida, tão pouco ser rotulada como a modelo mais depressiva que a humanidade já vira. Uma depressão que rendia milhões de dólares na sua conta bancária. Mas o que importava, se não tinha ânimo para gastar o dinheiro com qualquer coisa que fosse? A felicidade havia abandonado a menina quando seus pais a fizeram seguir a carreira fashion. Linda e magra, passou a percorrer dezenas de estúdios de fotografia, fez muitos comerciais e publicidades em revistas. Seu rosto estampava a pobreza da alma, num mundo capitalista. E assim, a menina era vista em todos os lugares, lembrando a multidão de que as marcas e grifes  mais caras do planeta não são sinônimo de pessoas bem-sucedidas e felizes.Ela se destacava como mais um coração triste no meio de um mundo que tenta disfarçar as imperfeições da humanidade. Antes de pular o precipício de 300 metros rumo ao mar, a menina escreveu um bilhete. Suas palavras foram jogadas ao vento, assim que ela despencou e se libertou do sofrimento. "Encontre um novo olhar", dizia o papel, que agora se desfazia no oceano.

3 comentários:

Jana disse...

Oi Paula,
esse texto é de sua autoria?

Beijos

Unknown disse...

Oi, Jana! Tudo bem?
Sim, é meu. Inspirado na última leitura de um livro de Paulo Coelho. Beijos

Jana disse...

Legal!!!!
Beijos!