Chego à minha casa, abro a porta da sala [pai e mãe dormindo no sofá] e um barulho ensurdecedor.
_ O que é isso, mãe? Que bicho é esse?
Ela acorda e diz:
_É o tapete.
_Como assim? [ainda tive a capacidade de olhar para o tapete e ver se ela instalou alguma coisa]
_É... eu lavei hoje.
_ Mãe, você não está ouvindo um bicho cantar?
_ Ah, é. [e dormiu de novo...]
Resta a mim descobrir o bicho. O som vinha da cozinha e realmente estava num volume muuuito alto. Tinha certeza que era uma cigarra, daquelas empolgadas pra cantar a noite inteira. Fui até a cozinha pé por pé e acendi a luz. Sophia, minha gata, acompanhou-me na empreitada. O bicho estava em cima da cortina e foi a felina quem o achou primeiro. Deu até tique nervoso no rabo da Sophia, de tão ansiosa – provavelmente queria dizer “me dá logo esse bicho, me dá, me dá, me dá!”. Mas só disse: “Miau, miau, miau”.
Era um grilo. Ou melhor, vamos chamá-lo de gafanhoto porque era grande, tinha uns 10 a 12 centímetros o inseto aspirante a cantor. Só parou de berrar quando comecei a arrumar meu jantar [claro que não era ele, mas podia ser o da Sophia]. E tenho que confessar que não fiquei tão indiferente quando vi o tamanho das pernas dele. Imaginei-o voando e se enroscando no meu cabelo. Minha espinha dorsal gelou! Mas fingi que sou uma pessoa normal, deixei o coitado lá, comi, tomei banho e fui direto dormir. Estava só o pó das trevas! Daí o danado iniciou de novo sua orquestra. Jurei que não ia levantar. Não levantei, mas demorei pra dormir e em determinado momento ouvi algo [como pequenos galhos de árvore] batendo nas paredes da casa e dois gatos [Sophia e Said] saltando pelo corredor. Pensei: “agora a orquestra vai acabar”. E a música silenciou para sempre.
Moral da história: morre primeiro quem é inseto e quer ser cantor desafinado.
P.S.: não sobrou um só pedaço do bicho.
Um comentário:
uhnnnnn, sádico isso...(rsrs)
Conheço um "montão" de gente que é inseto e quer "se meter" a cantar... kkkkkkkkk
Brincadeirinha!
Beijos
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