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Sou suçuarana
por Ivan Marsíglia - O Estado de S. Paulo
"Bem que meu tio Iauaretê me avisou: não vá praquelas bandas de lá, onde vive o Macaco Pelado, que é perigoso. Mas fazer o quê, se sou bicho criado solto, acostumado a zanzar em territórios de 65 km², 20 km² que seja, e nem isso me deixam? Ademais, se fiz foi por precisão, para buscar meu de-comer, corrido e revoado dali de onde moro, terra modesta, mas limpinha, e cada vez mais apertada. Cheguei assim chegado, sem pedir licença nem me apresentar. Então, perdoa a indelicadeza. Sou suçuarana, onça-parda, vermelha, puma, leão-baio. Nome certo, de ciência, diz que é puma concolor - mas o povo que me tirou da beira daquele rio de carros está me chamando é de Anhanguera mesmo. Um passarinho me contou que Anhanguera foi Bartolomeu Bueno da Silva..."
Na íntegra, só aqui.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Em(sim)patia com a onça
Toda a imprensa de Jundiaí e do Interior deram. Os jornais da Capital e os grandes sites de informações, também. Na semana passada, a suçuarana [vale lembrar que sussuarana, menos comum, também é certo] encontrada acuada na rodovia Anhanguera foi unanimidade na mídia. Porém, alguém se superou. O jornalista Ivan Marsiglia escreveu domingo (20), no O Estado de S. Paulo, uma página sobre a saga da suçuarana ao ser atropelada por um veículo na rodovia, proximidades de Louveira, parando o trânsito por mais de 1 hora.
Marsiglia se colocou no lugar da onça e escreveu em primeira pessoa - a tal da empatia, tão falada no jornalismo literário. Ficou genial! Ninguém mais fez isso. O jornalista acompanhou todo o desenrolar da história ao longo da semana, enquanto a onça esteve na Associação Mata Ciliar, em Jundiaí, com um canino quebrado e marcas de pneu pelo corpo.
Não é uma simples história. A suçuarana, ou melhor, o Marsiglia por trás das letras, fala do crescimento imobiliário na Serra do Japi, dos muros dos condomínios que deixam a casa dos bichos cada vez menor; da origem da palavra Anhanguera; do bicho homem e suas construções fora de lugar... Enfim, um relato e tanto! É daquelas reportagens pra ler e guardar.
Colega Marsiglia, não o conheço, mas peço licença para pôr o início do seu belo texto em meu blog. Aliás, estou pedindo com delicadeza, porque a gente sabe que muitos sites da internet simplesmente "roubam" nossas matérias na íntegra, sem pedir qualquer autorização.
Tenho certeza que o seu texto será usado em sala de aula pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL) - assim como os textos da Eliane Brum são sempre citados - e ficará na lembrança de muita gente. A suçuarana também agradece por você dar voz a ela e aos companheiros da Serra do Japi. Ah, antes que eu me esqueça, Marsiglia, vida longa!!!
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4 comentários:
Afora o belíssimo texto, só um comentário: Êta falta de pauta!
Tá vendo? É por isso que os jornais da capital são conhecidos como a "Grande Imprensa", porque podem investir no jornalista presenteando-lhe com uma bela pauta ao invés de três, quatro, até cinco malditas pautas por dia.
Ai que inveja!!!! rsrs
Beijão procê Paulinha!
Concordo com o comentário acima... Mas, se Deus te dá o limão, faça uma limonada... =)
Dessa limonada saiu o belissimo texto!!! rs
Beijos, Vi.
ps: acho que eu jamais teria tido essa idéia...
Brincadeiras a parte, gostei do texto e da criatividade do cara!!!
Beijos, Vi.
Gu, em outras palavras, tempo é tudo, né? Mas não vamos julgar o rapaz. Ele pode ter escrito o texto em meia hora, após ter lido algum título do Guimarães Rosa...rs
Vic, dificilmente eu também teria essa ideia, embora eu já tenha sido uma porta de vidro num texto meu da faculdade. Foi uma experiência bacana! Mas o resultado não chega nem perto do referido autor de "Sou suçuarana".
Beijos pros dois.
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