quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Homem das pombas - O personagem

Quem se aventura pelo jornalismo literário - não é meu caso ultimamente - saberia que o 'homem das pombas', um cara que mora ao lado da empresa onde trabalho, daria um belo perfil. Ele é o cara! Mistério é a palavra que melhor o define. Vou explicar porque quase todo mundo que conhece a figura o chama assim. Peraí, ninguém conhece ele de verdade ou tem amizade. Nem ao menos sei o nome dele! É um ser estranho e acho que agora começo a explicar essa história. O rapaz tem mais de 40 ou 50. É uma incógnita. Seu corpo é bem, mas bem magrelo, de saltar os ossos pra fora. Tem mais ou menos 1 metro e meio de altura, cabelos brancos, compridos, presos por um rabo, sempre. Vira e mexe anda sem camisa pelas ruas. Toda vez que saio às 23h do trabalho lá encontro ele, travando um relacionamento com o milho no asfalto, ou varrendo a cagada das pombas e botando tudo numa pá. Juro que eu queria saber onde ele leva aquela pá e o que faz com a sujeira. Isso acontece todo dia, aos olhos de quem passa pela praça que existe ali, aos olhos de todos. E tenho certeza que ele não faz isso pra limpar a rua. Não, não. Aí tem coisa. Por volta das 18h ou 19h, quando as pombas ainda não dormiram, ele espalha o milho. Faz uma trilha geometricamente calculada e estrategicamente planejada. Mais tarde, vai buscar o que sobrou e recolhe tudo com a nojenta pá. Parei com a mania de estacionar o carro na frente da casa do homem das pombas. Uma vez encontrei ele na janela, esticando um cachorro magricelo, quase sem pelo [pois é, não leva mais acento] e retirando as pulgas e carrapatos do coitado do cão. Tirava e jogava na calçada. Com a brisa, voaria tudo sobre os carros parados ali. Tá, isso nem é um problema grande, o purgueiro do cão e do homem. A questão é que todo dia ele chacoalha o lençol na janela e o pedestre desavisado vai ter de encarar os ácaros e bactérias que sobrevoam a via pública. Mas sinto que a paixão dele é pelas pombas. De tão bem alimentadas, as pobres e perigosas [só porque causam doenças] pombas ficaram para todo o sempre na praça. Então, qualquer pessoa em sã consciência tem o cuidado de andar por ali. Já fui vítima duas vezes das fezes e urina desses bichos. Meu carro, então! Todo dia é premiado. Hoje saí da empresa pensando se as pombas estavam com a barriga cheia ou a mira boa. Passei veloz sob as árvores e não avistei o homem das pombas. Mas quando entrei no carro, passei a mão no cabelo e senti... Não era o que eu esperava. Tirei logo aquilo e joguei em qualquer canto. Então veio o cheiro estranho. Era aquele inseto que apelidaram de "vaquinha fedida". Não acreditei! Melhor uma cagada ou esse bicho? De qualquer forma, concluí que as pombas já estavam bem alimentadas, pois podiam ter deixado o milho de lado e comido a vaquinha. P.S.: Não tenho nada contra as pombas e odeio pessoas que matam esse bicho. Aliás, qualquer bicho!

2 comentários:

Gustavo disse...

Não sei se você sabe, Paulinha, mas o cocô de pomba é um dos escrementos animal mais caro e cobiçado do mundo. Tanto que há empresas que exploram a ilha de Atol das Rocas para extrair o rico fertilizante. Taí, o caricatura deve estar explorando as pobres pombas! Caguem pombas malditas! (esbraveja com o estalo de um chicote rsrrs)

Foi mal pelas palavras pouco higiênicas!

Beijão

Unknown disse...

Que interessante, menino! Eu não sabia, não. O homem das pombas pode ter ficado milionário varrendo a m... delas e eu achava que era alguma maluquice!

Beijos