quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tem dias que a noite é f...

7h30 da manhã. 2 de abril. De minha mãe para meu pai: "Não pegue água da torneira para beber. Jogue fora e pegue do filtro". Do meu pai para minha mãe: Nenhuma palavra. O entendimento: jogar o copo fora. Então lá vai o copo voando pela cozinha até atingir a parede. O episódio termina em estilhaços de vidro e uma mãe calada, muito irritada. Não sei como ela conseguiu se segurar!

Pulo da cama. 7h30 da manhã. Se não houvesse o Alzheimer em casa dava pra soltar um palavrão, mas há. E não há o que fazer. Engulo as palavras, como minha mãe, apenas varro a indignação.

Do meu pai para mim: "Vai trabalhar?" De mim para ele: "Sim". 10h30. Estou na cadeira do dentista e reparo num armário de aço igualzinho ao que há em casa. Foi feito pelo meu pai, quando ele ainda mantinha uma fábrica no quintal. Possivelmente o dentista comprou dele aquela peça, perfeita. Tem dedo do meu pai ali, tenho certeza. Das 11h30 às 19h. Trabalho. Cansaço... Férias à vista... Quanto mais elas se aproximam, mais clamo por elas. 19h30. Uma lâmpada pra trocar na garagem. Meu pai tem dificuldade. Não consegue mais, embora tente uma, duas, três, sete, nove, dez vezes. A filha troca. Das 20h às 21h30. Deixo todo o estresse e a tristeza na aula de dança, perco calorias, dou risada, esqueço de tudo. Quase tudo. Bom saber que não estou sozinha! Jana, Vic e Gu, adorei os recadinhos do último post. Estranhezas como o Alzheimer... Será que algum dia alguém vai compreender essa doença e achar solução?

Um comentário:

Vitória disse...

Enquanto isso não ocorre, o que importa é que VOCÊ sabe entender... e VOCÊ sabe a cura específica para cada momento em especial...

Beijos,Vic