segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Jundiaí

Nessa casa de 400 mil moradores Um cinturão verde demonstra imponência. Ao norte deslizam rios e cachoeiras, Ao sul adormecem contornos. No imenso jardim de árvores e arbustos A natureza revela a sua silhueta Enquanto o sol esconde-se devagarinho Atrás daquela planície, onde se avista Um leque de cores ao entardecer. O vento faz as folhas brincarem de brisa Exalando ar fresco, Umedecido pelas lágrimas da fina chuva. A noite nasce. Os pingos de água resvalam sobre a cidade. Escorrem lágrimas do mês de agosto, Molham ruas e avenidas, Arranha-céus e parques. Nessa casa sem dono Amigos são semeados de leste a oeste. O território é de gente trabalhadora, Solo de quem trilha novos horizontes, Chão daqueles que sonham ao extremo, Porto seguro para embarques e partidas. Nesse cais de devaneios, Chegam e vão amores... Como uma dança descompassada, ímpar. Sob o teto virtual Nascem e morrem pessoas. É a sina prevista por Deus aos seres humanos. Entrecortado pelo canto distante do pássaro, O lar, doce lar, continua sendo morada. Um berço procurado pela tranqüilidade. Quem reside nessa casa Experimenta a paz da natureza, A sonoridade de um universo particular Que aspira preservação e expira zelo. Nessa terra de muitas espécies, Integram-se músicos, escritores, jornalistas, Administradores, psicólogos, engenheiros, Artistas, varredores, domésticas, Dentistas, médicos, garis, Professores, carteiros, desempregados. Cada qual com seus sonhos e anseios, Numa busca comum pela sobrevivência. Costumeiramente, a casa abriga a todos. Das suas paredes brotam ramos Molhados de fina garoa, Que despencam dos olhos do Criador E produzem um cenário de ternura. Na porta da casa, sempre aberta, alinhava-se O nome Jundiaí, uma poesia sem fim.
Paula Mestrinel

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