Nessa casa de 400 mil moradores
Um cinturão verde demonstra imponência.
Ao norte deslizam rios e cachoeiras,
Ao sul adormecem contornos.
No imenso jardim de árvores e arbustos
A natureza revela a sua silhueta
Enquanto o sol esconde-se devagarinho
Atrás daquela planície, onde se avista
Um leque de cores ao entardecer.
O vento faz as folhas brincarem de brisa
Exalando ar fresco,
Umedecido pelas lágrimas da fina chuva.
A noite nasce.
Os pingos de água resvalam sobre a cidade.
Escorrem lágrimas do mês de agosto,
Molham ruas e avenidas,
Arranha-céus e parques.
Nessa casa sem dono
Amigos são semeados de leste a oeste.
O território é de gente trabalhadora,
Solo de quem trilha novos horizontes,
Chão daqueles que sonham ao extremo,
Porto seguro para embarques e partidas.
Nesse cais de devaneios,
Chegam e vão amores...
Como uma dança descompassada, ímpar.
Sob o teto virtual
Nascem e morrem pessoas.
É a sina prevista por Deus aos seres humanos.
Entrecortado pelo canto distante do pássaro,
O lar, doce lar, continua sendo morada.
Um berço procurado pela tranqüilidade.
Quem reside nessa casa
Experimenta a paz da natureza,
A sonoridade de um universo particular
Que aspira preservação e expira zelo.
Nessa terra de muitas espécies,
Integram-se músicos, escritores, jornalistas,
Administradores, psicólogos, engenheiros,
Artistas, varredores, domésticas,
Dentistas, médicos, garis,
Professores, carteiros, desempregados.
Cada qual com seus sonhos e anseios,
Numa busca comum pela sobrevivência.
Costumeiramente, a casa abriga a todos.
Das suas paredes brotam ramos
Molhados de fina garoa,
Que despencam dos olhos do Criador
E produzem um cenário de ternura.
Na porta da casa, sempre aberta, alinhava-se
O nome Jundiaí, uma poesia sem fim.
Paula Mestrinel
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