segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Reflexão

Faço minhas as palavras de Honoré de Balzac, sobre a arte do trabalho, da escrita, da criação, da vida...
“Planejar, sonhar e imaginar belas obras é com certeza uma agradável ocupação... Mas produzir, trazer à luz, passar pelo trabalho de parto, alimentar a criança, tomá-la nos braços todas as manhãs com inesgotável amor, acariciá-la, vesti-la cem vezes com belas roupagens, que ela rasga repetidamente; jamais desanimar diante das convulsões desta vida louca e dela fazer uma obra-prima viva, que fale a todos os olhos, na escultura ou a todas as mentes na literatura, a todas as memórias na pintura, a todos os corações na música – esta é a tarefa da execução. A mão precisa estar pronta a todo instante para obedecer à mente. E os momentos criativos não vêm de encomenda... O trabalho é uma luta cansativa, ao mesmo tempo temida e amada pelas naturezas fortes e refinadas, que muitas vezes se quebram sob a tensão... Se o artista não se lança irrefletidamente ao trabalho como um soldado à brecha, e se naquela trincheira não cavar como um mineiro mergulhado sob uma barreira de rochedos... a obra jamais será concluída; perecerá no estúdio, onde a produção se torna impossível, e o artista contemplará o suicídio do próprio talento... E é por esta razão que a mesma recompensa, os louros e a glória são concedidos tanto aos grandes poetas, como aos grandes generais.”

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