Já dizia Clarice Lispector que "domingo é dia de ecos". A escritora fez parte da faxina literária hoje, no meu quarto. Desfazer-se de alguns livros me corta o coração. Mas Clarice eu preservei, mesmo com suas páginas amareladas. Velhas palavras, novas realidades.
"Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro". Enquanto fazia a faxina, ouvi pelo menos umas 30 vezes a cantora Adele, com meu corpo inteiro. E o refrão penetrou minha alma: "sometimes it lasts in love / but sometimes it hurts instead".
"Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca... O que salva então é escrever distraidamente". Clarice me inspirou a vir escrever sem compromisso. A parir palavras que eu mesma nem sei onde vão dar ou a quem vão chegar.
Hoje costurei alguns retalhos da minha vida. Encontrei cartas de amor entre os livros e as traças. Virei páginas, revi histórias de 20 anos atrás. Joguei fora o que já não tinha importância. Guardei na estante o aroma do passado, as cartas que não escrevi, os livros que fincaram raiz em mim.
"Tudo acaba, mas o que te escrevo continua... O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas". Só não foi para fora de casa o livro amarelo de Clarice, porque, ao abri-lo, descobri os post-its com essas frases que acabei de destacar.
"Água Viva" continua na estante. Adele continua cantando. E domingo é mesmo dia de ecos.

Um comentário:
Amiga, essa música é ótima né? ;)
Bjs
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