quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A cor do paraíso


A moça da locadora de filmes é monossilábica. Nunca sugere nada, nunca cumprimenta se não for cumprimentada, nunca fala sobre os filmes. Durante a minha saga de algumas semanas para conseguir locar "Querido John", a única coisa que ela me disse é que não sabia porque eu estava querendo ver tanto o filme, já que ela não achou nada demais. Ignorei. Não a deixei acabar com minha ansiedade.

No último fim de semana lá vou eu à locadora e lá estava a moça estranha. Sem expressão. Sem sorriso. Perguntei se estava locado "A última música" e, depois de checar, ela respondeu positivamente, laconicamente. Fui então à sessão de romance e drama. Quatro velhos filmes me atraíram: "A Casa do Lago", "Falando de amor", "A Cor do Paraíso" e o quarto não me lembro mais.

Quando me viu com os quatro filmes na mão, a moça abriu a boca:
_ A Cor do Paraíso é lindo _ disse ela, para meu espanto.

Voltei pra casa e deixei pra ver a "sugestão" dela por último, na esperança de que fosse o melhor de todos. Pois eu digo que é o filme mais es-tú-pi-do que eu já vi!!! E peço desculpas, mas eu vou ter que contar a história. Trata da vida de um menino cego, rejeitado pelo pai. O garoto sofre o filme todo e no final morre afogado. O pai, que sempre pensava em matar o menino pela sua condição de cego, percebe que o ama ao vê-lo morto. Estúpido. É, realmente, um filme estúpido. 

E aquela criatura da locadora é, com certeza, um... Avatar. Oras bolas, se não vai com a minha cara devia dizer logo!

Só pra constar, deixo a sugestão: nunca assistam A Cor do Paraíso.

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