sábado, 6 de março de 2010

Hermann, o chato

Um pinguinho de chuva me acordou neste sábado e falou ao pé do ouvido: "Levanta, mulher! Vai estudar!" Logo em seguida, chamou os seus amigos e veio a chuva inteira derramada sobre o dia. Ah, que vontade de passar o dia na cama - coisa que não faço há milhões de anos. Tá, fui estudar no curso literário que ingressei há pouco, ouvi sobre a vida de Hermann Hesse - suas chatices, rebuscamentos de linguagem e solidão total. Confessei de peito aberto: não tô gostando de ler o cara. Há duas alternativas: ou se identifica com uma leitura ou não. Comigo, não foi amor à primeira vista, mas vou tentar numa segunda vista.

Discutir literatura com pessoas que gostam do tema é bacana. Você percebe o quanto não sabe nada. E às vezes, o seu pouco conhecimento pode ser maior que o de outras pessoas. Uma troca interessante, eu diria. Embora Hesse fosse o autor da vez, falamos de Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Dostoiévski, Alberto Camus... e por aí vai. O foco é o contexto em que os escritores viveram para, depois, entender suas obras, identificar aspectos em que eles citam a própria história num trecho do livro, por exemplo. Mas eu quis tentar o contrário: compreender a obra e depois entender a chatice de Hermann Hesse [esse aí da foto abaixo]. Vou começar tudo de novo, com novo olhar. Prometo pra mim.

Acho que conhecimento nunca é demais. É um valor agregado. Meu cérebro está recebendo informações que nunca conheceu e imagino uma sacolinha sendo arquivada com o nome Hermann Hesse. "Chato". É, por enquanto, a associação que faço ao nome dele. Mas há quem garanta que o rapaz alemão, que morreu em 1962, tem coisas boas, títulos interessantes como "Siddharta", "Felicidade", "Narciso e Goldmundo"... Eu, que fui conferir a obra mais lida, "O lobo da estepe", não me encantei. Mas também não cheguei à metade do livro. Portanto, não faço nenhuma crítica - só em relação ao rebuscamento de sua escrita, muito difícil. Ou ele quis dificultar. Onde já se viu complicar até a expressão "de vez em quando"? Pois ele diz "de quando em vez".

Taí, meu fim de semana de folga vai ser com o alemão. Porém, com esses pinguinhos de chuva lá fora, vou desviar o foco. Os primeiros episódios da sexta temporada de "Lost" me esperam. Querido Hermann, aguarde um pouco mais. Sua chatice pode ser lida por muitos séculos. "Lost" é imperdível neste exato momento - por mais que não vá agregar nada. E se formos pensar nesses pesos e medidas, também dá uma discussão ampla e interessante.

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