Esperar é sentir um aperto no coração
Um cansaço sentimental que dilacera a mente
Angustia a alma e provoca enjôo nas vísceras
Esperar é transbordar a esperança falida
Exalar cheiro de solidão pelos poros
E absorver qualquer rastro de felicidade
Esperar é a insanidade mais enferma
É o sacrifício mais temido do ser humano
E a proposta menos louvável
Decidir esperar é parar diante de um precipício
E pensar em duas opções: abrir asas e voar
Ou saltar para assassinar a espera
Às vezes não é dada nenhuma alternativa
E a gente simplesmente espera
Que um dia o vazio seja preenchido
Paula Mestrinel
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